A médica geriatra, Dra Karla Giacomin fala à AMPID sobre o Coronavírus e os cuidados que devemos ter com relação às pessoas idosas.

quarta-feira, março 18th, 2020 @ 10:32PM

 
Foto: Manuela Antunes

 

 

 

 

Karla Giacomin (*)
 
AMPID – Dra. Karla Giacomin, o Ministério da Saúde expediu diretrizes para o isolamento ou cuidados de idosos(as) diante dessa pandemia?
Foto: Manuela Antunes

Dra. Karla Giacomin / Foto: Manuela Antunes

Karla Giacomin – Sim, por meio do seu site e de orientações técnicas frequentes. Cada Estado e município deve estar empenhado em seguir as orientações do Ministério da Saúde e adequá-las à urgência e ao dimensionamento de cada um.

 

Como estamos vivendo uma epidemia, as notícias mudam e mudam rápido. Todos os documentos relativos ao tema produzidos pelo Ministério da Saúde estão disponíveis em  https://dms.ufpel.edu.br/p2k/corona/

 

Além disso, acaba de ser lançado no site da UNA-SUS um curso sobre o Coronavirus  (https://www.unasus.gov.br/especial/covid19).

 

Infelizmente, precisamos estar atentos às notícias oficiais e evitar a propagação de notícias falsas, de fontes duvidosas, especialmente nas redes sociais.

 

AMPID – Como tratar a questão do isolamento em relação a idosos(as) dependentes, bem como, residentes em ILPIS?

 

Karla Giacomin – É muito importante compreender que os idosos(as) devem ficar isolados da comunidade, mas não de cuidados. É preciso pensar em maneiras criativas e virtuais para manter as pessoas integradas às famílias e amigos. Deve-se favorecer contatos com pessoas queridas por telefonemas ou por vídeo chamadas,  cartas, cartões ou outra forma de se fazer presente, mesmo à distância.

 

Manter um ambiente mais positivo é muito importante para quem vive e para quem trabalha junto a pessoas frágeis e dependentes.

 

Outra atitude necessária diz respeito ao cuidado com os profissionais. Caso apresente sintomas como febre, dor de garganta, tosse, o(a) funcionário(a) não deve trabalhar. Aquele(a) que precisar ficar afastado(a) do trabalho não deve sofrer quaisquer desvantagens ou penalidades, como perda de salário ou de emprego. Ao contrário, deve ter seus direitos trabalhistas assegurados pela gestão das instituições, pois se tiver descontos pelas faltas na folha de pagamento, a necessidade de ir trabalhar mesmo com sintomas, colocará em risco ele(a) mesmo(a) e toda a população da instituição.
AMPID – Quando devemos levar um idoso(a) com sintomas para um hospital ou posto de saúde?

 

Karla Giacomin – Cada município e cada Estado estabelece como e para onde orientar as pessoas sintomáticas, mas no geral, podemos pensar assim:

 

1) Se a pessoa apresentar sintomas de Gripe ou Resfriado comum (febre, tosse, dor de garganta, espirros, coriza), mas com bom estado de saúde em geral, a orientação é PERMANECER em ambiente isolado (em casa) por 14 dias para evitar a contaminação de outras pessoas.

 

Recomenda-se a hidratação e relativo repouso para a pessoa idosa. A pessoa com sintomas deve usar máscara e ter os objetos também isolados.

 

a) Para minimizar riscos aos familiares:

 

Reforçar a higiene de todos  Isso inclui: lavar as mãos com água e sabão ou utilizar álcool em gel 70%, antes e após tocar a pessoa com sintomas.
NÃO UTILIZAR A AUTO-MEDICAÇÃO: AAS, ibuprofeno ou outro anti-inflamatório.

 

b) Para minimizar riscos aos profissionais:

 

Os profissionais que  que prestarem assistência direta ao paciente suspeito com sintomas gripais, sejam leves ou graves, devem utilizar equipamentos de proteção individual (máscara cirúrgica ou N95, luvas, gorro, capote/avental descartável, protetor ocular ou de face)

 

2) Se houver piora dos sintomas com febre persistente, dificuldade para respirar e cansaço, a orientação é contactar o médico de referência pessoal ou da equipe de Saúde da Família ou médico de referência da ILPI. O profissional/equipe definirá se existe a necessidade de internação médico-hospitalar e recomendará a procura do serviço local destinado ao cuidado dessas pessoas.

 

AMPID – Dra. Karla Giacomin como manter uma pessoa idosa em isolamento preservando sua saúde mental? 

 

Karla Giacomin – O isolamento e a restrição de contatos sociais são uma ferramenta FUNDAMENTAL para evitar o contágio pelo vírus Covid-19.

 

Elas são necessárias porque o risco de ter uma doença mais grave é maior entre as pessoas acima de 60 anos, especialmente entre os mais idosos, mais frágeis e mais doentes. Daí a recomendação de restringir visitas, de evitar atividades em grupo e saídas.

 

As visitas e saídas serão restritas, mas é importante reforçar junto aos residentes e aos idosos nos domicílios, que as pessoas amadas estão pensando muito nelas – e facilitar que elas possam entrar em contato, por telefone ou vídeo chamada, com os familiares e amigos.

 

Para reduzir a solidão e aumentar a resiliência comunitária sugere-se ocupar o tempo com atividades apreciadas pelos próprios residentes. Deixo em anexo algumas dicas para você utilizar (produzidas pelo ILC-Brasil).

 

AMPID – Pela sua experiência, o SUS está preparado para prestar assistência preferencial aos idosos(as) doentes, como determina o Estatuto do Idoso?

 

Karla Giacomin – Gostaria de dizer que sim. Infelizmente, posso dizer que ainda são necessários muitos esforços para que isso se cumpra. A assistência preferencial segue muito mais critérios clínicos do que critérios etários. Isso vale para os de 60 e os de 80 anos.

 

AMPID – Quais as medidas que no seu entender ainda não foram tomadas pelos governos ( três níveis) para proteger a população idosa ?

 

Karla Giacomin – As pessoas idosas não devem sair de casa. A restrição de circulação de pessoas precisa ser radical. Somente os serviços essenciais que exigem atuação presencial devem ser mantidos. As pessoas que puderem trabalhar em casa devem ficar em casa.

 

A garantia de remuneração para os profissionais que tiverem que se ausentar por sintomas gripais deve ser assegurada. Pessoas que trabalham como cuidadores e profissionais de saúde (Enfermagem, Medicina, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Nutrição) e da Assistência Social estão ainda mais expostos porque são a linha de frente do cuidado. Por isso eles precisam ser orientados a se cuidar, a adiar consultas, exames e procedimentos não urgentes. Os profissionais devem suspender atendimentos para pessoas que estejam estabilizados e continuar atendendo apenas aqueles que estão mais graves.

 

As pessoas que não poderão ser atendidas precisam compreender que deixar de fazer um exame ou uma consulta agora pode ser menos arriscado do que contrair uma doença ou propagar uma doença para pessoas frágeis.

 

O momento é de união, solidariedade, responsabilidade e valorização da saúde pública que reponde por 100% da saúde do povo brasileiro. Todos precisamos superar diferenças e somarmos forças porque não será fácil, Nossa maior chance é prevenir o contágio.

 

(*) Karla Giacomin – Médica Geriatra, ponto focal do International Longevity Center. Consultora da Organização Mundial de Saúde para Políticas Públicas e Envelhecimento. Servidora pública municipal de Belo Horizonte.  Ex-presidente do Conselho Nacional de Direitos do Idoso (Gestão 2010-2012)
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